quarta-feira, 4 de outubro de 2006

4 de Outubro, dia mundial do animal, Bragança não adere!

Na última edição deste jornal foi publicada uma fotografia”em flagrante”, que retratava uma situação habitual na nossa cidade: a presença em tudo o que é esquina de cães vadios ou errantes.
Não podendo deixar de me incomodar e inconformar com esta triste realidade, aproveito a efeméride do 4 de Outubro, dia mundial do animal, e esperando que São Francisco de Assis como padroeiro dos animais, possa ajudar a elevar este testemunho, para abordar a condição de ser animal de quatro patas em Bragança.
O abandono de animais é definido no Decreto-Lei n.º 276/2001 de 17 de Outubro, no seu art.º 6.º-A, “ Considera-se abandono de animais de companhia a não prestação de cuidados no alojamento, bem como a sua remoção efectuada pelos detentores para fora do domicilio,..., com vista a pôr termo à sua detenção, sem que procedam à sua transmissão para aguarda e responsabilidade de outras pessoas, das autarquias locais e ou das sociedades zoófilas”. Não obstante a penalização prevista para o abandono ser a aplicação de coima mínima de 500 Euros, esta é ainda de limitado efeito prático, uma vez que só a identificação electrónica, com colocação de microchip, pode fazer prova da propriedade do canídeo, e esta medida está neste momento restrita aos cães de caça e às raças potencialmente perigosas. A universalidade desta identificação para todas as raças será aplicada só a partir de 2008.
O animal não é responsável pelo facto de ser vadio ou errante, aliás um hábito bem enraizado entre nós é o de “deixar o cão ir dar uma voltinha”. Assim, pode fazer o “cócó e xixi” nos espaços públicos sem que ninguém “chateie” o dono! Chama-se a isto falta de civismo dos donos e o coitado do animal é que corre o risco de vadiar na via pública, fugindo das rodas dos carros e dos sapatos das pessoas incomodadas com a sua presença.
Face a este triste cenário de impunidade para os donos prevaricadores, de risco para os animais e também para a saúde pública pela presença de animais habitualmente não vacinados, nem desparasitados nos espaços públicos, constata-se uma incapacidade da autarquia para ajudar a resolver o problema. Esta limita-se a efectuar capturas isoladas e a pedido, recolhendo os animais para um espaço não conforme com a legislação actual e sem as condições estruturais devidas, e impossibilita a aplicação de medidas activas de adopção de canídeos.
Nesta área não há que inventar nada, basta ver os bons exemplos que existem um pouco por todo o lado. Aqui na nossa região existe por exemplo, em Mirandela, um canil intermunicipal, que cumpre esse tipo de funções, permitindo inclusive a estadia de canídeos durante os períodos de férias dos donos.
A construção em Bragança de uma estrutura deste género é urgente, não esquecendo a vertente de hotel, que inclusive, permitiria criar alguma sustentabilidade económica ao projecto, para além do efeito positivo que poderia ter na redução do abandono de animais, sobretudo no período de férias, período onde se verifica o maior pico de abandonos. Para além do mais, um canil permitiria criar condições para implementar medidas de adopção de animais capturados, reduzindo o número de eutanásias praticadas.
A sensibilização dos donos para um melhor cuidado com os seus animais também é fundamental e a primeira pergunta a colocar deverá ser sempre: Será que tenho condições em casa para ter um animal?
Já alguém escreveu que o nível de desenvolvimento de um povo se vê pela forma como trata os seus animais. Em Bragança neste capítulo o nível de desenvolvimento ainda é, infelizmente, muito baixo!

Duarte Diz Lopes

terça-feira, 27 de julho de 2004

Cão de Gado Transmontano


As histórias de lobos e os ataques aos rebanhos percorrem o imaginário de todos os transmontanos que, desde tempos imemoriais, se habituaram a conviver com esta realidade natural. Hoje, ainda existem alcateias, mas as histórias do “lobo mau” já não fazem brilhar os olhos das crianças à lareira.

Em muitas das recordações da minha infância, vivida numa recôndita aldeia do concelho de Vinhais, o “Cão do Gado”, de porte imponente, está presente, como guardador de rebanhos, fiel amigo do pastor e protegido do lobo pelas “carrancas” (coleiras de pregos) ameaçadoras.
Por isso, quando há quinze anos atrás iniciei a minha actividade profissional e regressei a esta região, pude com naturalidade constatar a presença de centenas de cães de guarda de rebanho, com padrões fisionómicos muito semelhantes e passíveis de serem classificados como pertencendo a uma raça específica ainda não tipificada.


Quando há 10 anos iniciámos o concurso do “Cão de Gado Transmontano”, na aldeia de Moimenta, concelho de Vinhais, respondendo aos anseios crescentes dos pastores que, paralelamente com o reconhecimento da raça ovina “Churra Galega Bragançana”, pretendiam distinguir os seus cães de gado e obter alguma orientação técnica para a sua selecção, sabíamos que o processo de reconhecimento iria ser moroso, exigindo, por isso, perseverança e determinação.
Se é verdade que a origem desta raça está relacionada com os restantes mastins ibéricos, a sua evolução e diferenciação foi determinada pelas rotas da transumância e pela adaptação à realidade edafoclimática e topográfica da região de Trás-os-Montes.
Numa região de montanha, com vegetação abundante, o cão de gado, no seu processo de adaptação natural, cresceu mais que outros mastins, sendo hoje um cão mais “quadrado”.
Da mesma forma, as funções de defesa do lobo, que desde sempre desempenhou, determinaram que o pastor seleccionasse os de pelagem branca malhada, de mais fácil percepção no monte e de todo distinta do padrão cromático do lobo.

O reconhecimento, no dia 2 de Abril de 2004, pela Assembleia Geral do Clube Português de Canicultura (CPC), daquela que é hoje considerada a 9.ª raça canina portuguesa foi o culminar de um processo que, ao longo destes 10 anos, envolveu diversas entidades, destacando-se na região a Câmara Municipal de Vinhais, entidade que promoveu sucessivos concursos de raça na aldeia da Moimenta, e o Parque Natural de Montesinho, que tem desenvolvido um trabalho meritório na preservação da raça e particularmente no desenvolvimento de um programa de colocação e acompanhamento de cachorros em rebanhos. A nível nacional, o trabalho desenvolvido pelo CPC foi fundamental neste processo. A direcção do clube e a comissão de raças portuguesas efectuaram um exaustivo trabalho de campo, constatando no terreno a existência de centenas de bons exemplares , o que pôde dar suporte, posteriormente, a uma proposta de estalão da raça.




O projecto de estalão da autoria da Presidente da Direcção do CPC, Carla Molinari e do Dr. José Cabral, para além de um excelente trabalho técnico, traduz também a plena diferenciação da raça das demais existentes, em particular da do “Rafeiro do Alentejo”.
Na aparência geral, é referido no projecto de estalão como “Cão molossoide de grande tamanho, forte e rústico, que se evidencia pelo seu aspecto imponente, porte altivo olhar sóbrio. Tem o perfil lateral quadrado, com membros altos, de ossadura forte, naturalmente direitos e bem aprumados, ventre ligeiramente arregaçado, e angulações posteriores moderadas”
No temperamento e comportamento, é dito que “Não obstante a sua corpulência, é um cão de temperamento dócil, mas reservado, é cauteloso, sem ser agressivo, sempre calmo e com o olhar sereno. É um excepcional vigia nas sua funções de guarda de rebanhos, contra o ataque dos lobos...”

É de salientar que este é, sem dúvida alguma, o maior cão das raças portuguesas. No projecto de estalão as alturas apontadas para os machos são de 74 a 82 cm e para as fêmeas são de 66 a 76 cm.

Esta raça constitui um património genético valioso da região de Trás-os-Montes e o seu reconhecimento engrandece a canicultura nacional. O entusiasmo dos criadores já foi traduzido na constituição da “ Associação de Criadores do Cão de Gado Transmontano”, com sede no edifício da Casa do Povo, em Vinhais.

O reconhecimento desta raça, tal como foi referido anteriormente, assentou numa realidade irredutível – sempre existiu um Cão de Gado em Trás-os-Montes!

segunda-feira, 18 de março de 2002

Leishmaniose .... a culpa é do mosquito!


A leishmaniose canina é uma doença endémica causada por um protozoário, Leishmania infantum. É uma zoonose que no Homem é conhecida como “Kala-azar”.

A transmissão desta afecção deve-se a um mosquito chamado flebótomo, um pequeno insecto, que vive principalmente nas regiões montanhosas. O mosquito é activo desde o crepúsculo e durante praticamente toda a noite, de Abril até Outubro. A fêmea (a única que pica) procura um animal de sangue quente para se alimentar, depois os parasitas amastigotas multiplicam-se no intestino do mosquito e transformam-se em promastigotas. São estas as formas infestantes que podem infectar um outro animal que seja picado. Não se sabe por que razão, mas estes mosquitos têm uma particular atracção pelo cão, sendo o focinho e a face interna da orelha as zonas de eleição para a picadela.

Na nossa região a leishmaniose pode considerar-se endémica. Até há poucos anos, apenas se considerava que esta doença era endémica na região do Alto Douro, porém dezenas de casos clínicos e exames laboratoriais efectuados ao longo da última década, permitem-nos hoje afirmar que a endemia é extensível à região de Bragança.

Nem todos os cães desenvolvem esta doença após a picada do mosquito, muitos são imuno-resistentes, outros são portadores assintomáticos. De acordo com a nossa experiência clínica, as raças mais susceptíveis são o Boxer, Doberman, Rottweiler, Pastor Alemão e Perdigueiros.

A Leishmaniose canina apresenta uma diversidade de sintomas nos cães, desde os dermatológicos, como peladas, descamação e úlceras até sintomas viscerais e gerais, como a anemia, perda de apetite e atrofia muscular.

De acordo com a informação disponível, nomeadamente de alguns estudos realizados em Espanha, a transmissão ao Homem, embora possível a partir do mosquito vector, sobretudo em pessoas com imuno-deficiências, não tem expressão significativa.
A prevenção da doença nos cães, em regiões endémicas como a nossa, é difícil pois ainda não existe qualquer vacina disponível . É por isso fundamental evitar o contacto com os mosquitos vectores. Para este efeito, recomenda-se a utilização de insecticidas repelentes específicos e o recolhimento dos cães durante a noite.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2001

Geriatria

Tal como nós, os nossos amigos de companhia, cão e gato, também envelhecem, atingindo a fase geriátrica ou sénior.
O envelhecimento traduz uma redução progressiva de todo o equilíbrio orgânico, o que aumenta a predisposição para várias doenças.
Na maior parte das raças de cães, com esperança de vida média de 12 anos, a fase sénior ou geriátrica começa por volta dos 7 anos de idade. Nas raças grandes, com esperança de vida média de 10 anos, esta fase inicia-se aos 5 anos. Nos gatos com esperança de vida média de 14 anos inicia-se, também, aos 7.
Desta forma, podemos generalizar dizendo que a fase geriátrica nos nossos animais de companhia se inicia aos 7 anos.
As principais doenças que atingem os animais nesta fase são:
- Tumores (cancro);
- Insuficiência renal crónica;
- Insuficiência cardíaca;
- Doenças endócrinas;
- Obesidade;
Para além destas doenças, outras podem surgir, como as piómetras (infecções do útero) nas cadelas, doenças da próstata nos cães e as doenças periodontais (boca), entre outras.
Se uma doença for diagnosticada numa fase inicial, é então possível começar o tratamento e o maneio mais adequado, aumentando desta forma a esperança e qualidade de vida dos nossos animais.
É assim importante estabelecer um programa de exames médicos e laboratoriais dos animais geriátricos, que possa ajudar no diagnóstico inicial de alguma patologia em curso, permitindo adoptar as medidas terapêuticas e profilácticas adequadas.
Um programa geriátrico preventivo deve incluir:
- Exame clínico;
- Exame laboratorial;
- Adaptação da dieta;
- Prevenção de doenças periodontais (boca);
- Educação do dono para esta nova fase da vida do seu animal.
Este programa deve realizar-se nos cães e gatos, pelo menos uma vez por ano, a partir dos 7 anos.

domingo, 1 de abril de 2001

Toxoplasmose - nota informativa

Etiologia:

Protozoário intracelular obrigatório
Os felinos são os hospedeiros definitivos, e como hospedeiros intermediários temos como exemplo o cão e o Homem – é um importante agente zoonótico.
Destruído pelo calor a 65ºC e pelo iodo.

Vias de Transmissão:

. Ingestão de tecidos infectados – principal causa de infecção no gato: carne crua, ratos, pássaros
a ingestão de carne crua ou mal cozinhada também é uma importante fonte de contágio em cães e Homem, bem como leite cru de cabra.

. Ingestão de oocistos das fezes do gato – os alimentos, a água e chão contaminado com os oocistos esporulados são importantes fontes de infecção para o Homem, cão, animais para consumo e roedores.

. Infecções congénitas (transplacentárias) – o Toxoplasma pode ultrapassar a barreira transplacentária e infectar o feto durante a gestação, sendo por isso um aspecto importante para a saúde pública, no caso do Homem.

Meios de prevenção para o Homem:

· não comer carne crua nem mal cozinhada (risco de infecção 10 x mais elevada)
· lavar bem as mãos e todos os materiais (facas, recipientes) que estiveram em contacto com a carne crua
· não beber água de fontes sem indicação de salubridade
· limpar a areia do gato todos os dias (os oocistos necessitam pelo menos 24 h para esporularem e tornarem-se infecciosos)
· utilizar luvas quando tratar do seu jardim
· lavar bem os legumes antes de os consumir
· as mulheres grávidas devem evitar o contacto com a terra, a areia dos gatos e comida crua