quarta-feira, 11 de março de 2009

Sessão de Formação para Donos

Sessão de Formação para Donos de Gatos
Tema: Saúde Urinária
Sábado dia 14 de Março de 2009
17.00 Insuficiência Renal Crónica
Dr. Duarte Diz Lopes
17.30 Doenças do Trato Urinário inferior
Dra. Filipa Rodrigues
18.00 A nutrição na prevenção e tratamento das doença urinárias
Dr. André Vilar

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Toxoplasmose e Gatos


O que é a Toxoplasmose?



A Toxoplasmose é uma doença causada por um parasita denominado Toxoplasma gondii.

È uma das doenças parasitárias mais comuns no Homem e nos animais (zoonose).

Embora seja elevada a prevalência, esta doença raramente causa sinais clínicos significativos.

O ciclo deste parasita é complexo e envolve dois tipos de hospedeiros: definitivo e intermediário. O gato, doméstico ou selvagem, é o único hospedeiro definitivo. O gato quando come um animal infectado (ou carne crua infectada), e ingere o parasita, este multiplica-se no seu intestino produzindo ovos (oocistos). Estes oocistos são então excretados em grandes quantidades nas fezes, somente cerca de 10-14 dias -período de risco. Estes são muito resistentes no exterior, sobrevivendo até 1 ano. No entanto, estes oocistos no exterior, só são infecciosos quando ficam esporulados, o que demora entre 1 a 5 dias, dependendo das condições ambientais.

Os outros animais, incluindo o Homem, são os hospedeiros intermediários do Toxoplasma gondii. Estes podem ser infectados, pela ingestão dos oocistos esporulados, resultando na formação de quistos que se alojam em vários órgãos e músculos.

Como é que a Toxoplasmose se manifesta no meu gato?

A maior parte dos gatos infectados com T. gondii não demonstram sintomas. A doença pode evidenciar-se em gatos que tenham o seu sistema imunitário deprimido, ou seja, gatinhos muito jovens ou gatos com leucemia (FeLv) ou imunodeficiência felina (Fiv).

Como é que as pessoas ficam infectadas com Toxoplasmose?

A fonte de infecção mais importante para a maior parte dos animais, incluindo o Homem, é o solo contaminado. Nos países industrializados, a via mais comum de infecção é pela ingestão de carnes mal cozinhadas, particularmente ovina e suína.

As águas contaminadas, frutas e legumes mal lavados também são fonte de contaminação. Este parasita também pode estar presente em produtos lácteos não pasteurizados.

A via de transmissão, talvez a mais debatida e mencionada, é a intra-uterina, de mãe para filho, durante a gravidez.

Como posso prevenir a Toxoplasmose?

Existem várias medidas sanitárias gerais que podemos seguir, para evitar esta infecção:

. Não comer carne crua ou mal cozinhada (especialmente carne de ovino, caprino e suíno);

. Evitar provar a comida ainda mal cozinhada;

. Não beber leite e derivados não pasteurizados;

. Congelar os alimentos suspeitos durante alguns dias, antes de os consumir, reduzindo risco;

. Lavar bem as frutas e legumes crus antes de as comer;

. Lavar com água e detergente os utensílios que contactaram com carnes cruas;

. Usar luvas quando fizer jardinagem, e lavar as mãos de seguida;

. Evitar beber água de origem desconhecida

Se uma mulher estiver grávida, não sendo imune à Toxoplasmose, pode continuar a contactar com o seu GATO?

Claro que pode continuar a contactar com o seu gato, tendo em consideração os seguintes aspectos:

. Evitar o contacto com a caixa de areia, que deverá ser higienizada todos os dias (o parasita só é infeccioso 1 a 5 das depois de ser eliminado pelas fezes do gato). Usar luvas em caso de necessidade;

. Manter o gato dentro de casa;

. Não dar carnes cruas ao seu gato, alimentá-lo com ração específica;


Esta última pergunta é a que mais dúvida levanta, criando receios, na maior parte das vezes infundados e que importa desdramatizar, sendo que os vários estudos realizados sobre a doença, referem sempre que a principal via de infecção é pelo consumo de carnes contaminada e mal cozinhadas, e nunca o contacto directo com os gatos.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009


Bragança faz rastreio à Leishmaniose Canina

Entre 19 e 24 de Janeiro decorre “A Semana da Leishmaniose”, uma iniciativa pioneira a nível Europeu do Observatório Nacional das Leishmanioses (ONLEISH). Durante esta Semana será realizado um rastreio a cerca de 3.000 cães para determinar a prevalência da doença em Portugal.

A Semana da Leishmaniose surge como resposta ao grande objectivo do ONLeish, que é a criação de uma rede de vigilância epidemiológica Nacional. Vamos realizar um estudo pioneiro em Portugal e na Europa que tem como finalidade fazer o levantamento da seroprevalência da Leishmaniose Canina e, no futuro, desenvolver ferramentas para a prevenção desta doença.

Entre 19 e 24 de Janeiro será realizado um rastreio em 5 zonas do país: Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, onde 130 clínicas veterinárias irão recolher um número mínimo de 3.000 amostras que serão posteriormente encaminhadas para o laboratório da Unidade de Leishmanioses do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), para serem analisadas.

Dr. Duarte Diz Lopes, Médico Veterinário da Clínica Vet. Dr. Duarte Diz Lopes comenta a importância deste estudo e diz: “um rastreio com uma dimensão nacional permitirá não só conhecer as características da doença, como também desenvolver medidas de educação e prevenção da Leishmaniose adequadas às exigências de cada região, pois existem zonas de maior risco de disseminação do que outras”.

Porto, Braga, Viana, Vila Real, Bragança, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Viseu, Aveiro, Guarda, Lisboa, Setúbal, Santarém, Évora, Beja, Portalegre e Faro são apenas algumas das 53 cidades e vilas que vão participar neste rastreio gratuito.

A Leishmaniose Canina é uma infecção grave dos cães causada pelo parasita Leishmania e transmitida por um insecto o flebótomo. É uma doença de evolução crónica que, sem tratamento, leva à morte do cão. É transmissível ao Homem deve de ser seguida de perto, pois constitui um risco para a Saúde Pública.

Toda a informação disponível em: www.onleish.org

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

sábado, 29 de novembro de 2008

Animais de Companhia e Responsabilidades legais dos donos.

As recentes medidas legislativas que tornaram obrigatória a identificação electrónica para todos os cães nascidos a partir de 1 de Julho de 2008 e a esterilização das raças potencialmente perigosas, desde 14 de Agosto de 2008, vieram trazer para a ordem do dia, as questões legais sobre a detenção de animais de companhia.

De uma forma sintética apresenta-se de seguida alguma da informação legal que importa dar a conhecer aos donos de animais de companhia e particularmente aos donos de cães.


1. Detenção e Alojamento de cães e gatos (DL n.º314/2003 de 17/12)

· Prédios urbanos: máximo de 3 cães ou 4 gatos, não podendo exceder um total de 4 animais adultos por fogo;

· Prédios Rústicos ou mistos: máximo de 6 animais adultos.

2. Vacinação, Identificação, Registo e Licenciamento de cães

· Vacinação contra raiva: Obrigatória a partir dos 3 meses (Art.2.º Portaria 81/2002 de 24/01);

· Microchip: Obrigatório para todos os cães de caça, cães perigosos e potencialmente perigosos e para todos os que nasceram a partir de 1 de Julho de 2008 (Art.6.º DL n.º 313/2004 de 17/12);

· Registo e Licenciamento: Obrigatório para todos os cães entre os 3 e os 6 meses, na Junta de Freguesia (Art.2.º Portaria 421/2004 de 24/04)

3. Cães de Raças Potencialmente Perigosas (Portaria nº 422/04 de 24/04)

- São sete as raças consideradas potencialmente perigosas, incluindo-se aqui também todos os cruzamentos das mesmas:

· Cão de Fila Brasileiro)

· Dogue Argentino

· Tosa Inu

· Rottweiler

· Staffordshire Terrier Americano

· Staffordshire Bull Terrier

· Pitbull Terrier (não reconhecido pelo Clube Português de Canicultura)

- A esterilização foi determinada obrigatória desde o dia 14 de Agosto de 2008 pelo Despacho n.º10891/2008 de 14/04, excluindo-se do âmbito da aplicação da mesma, os cães destas raças inscritos nos livros de origem (LOP). Esta excepção, não se aplica no caso dos Pitbull, uma vez que não são reconhecidos como raça pura pelas entidades oficiais.

3. Circulação na Via Pública

-Cães de raças perigosas ou potencialmente perigos (DL n.º 313/2004 de 17/12):

· Não podem ser passeados por menor de 16 anos;

· Trela com máximo de 1 metro e açaimo;

· Boletim sanitário actualizada com vacina anti-rábica;

· Microchip obrigatório;

· Licença especial de detenção para pessoa maior de idade;

· Declaração de esterilização ou registo de raça (LOP).

- Cães de outras raças (DL n.º 314/2004 de 17/12):

· Sempre conduzidos à trela;

· Boletim sanitário actualizada com vacina anti-rábica;

· Microchip obrigatório, nascidos a partir de 1 de Julho de 2008;

· Registo e Licença da Junta de Freguesia

4. Bem-estar dos animais e dever de cuidar dos donos (DL n.º 315/2004 de 17/12)

Considera-se um animal de companhia, qualquer animal detido ou destinado a ser detido pelo homem, designadamente no seu lar, para seu entretenimento e companhia.

As condições de detenção e alojamento devem salvaguardar os parâmetros de bem-estar animal.

Estão previstas diversas contra-ordenações e coimas mínimas, com um mínimo de 500,00 Euros, para diferentes situações de infracção por parte dos detentores, das quais se destacam:

· Abandono de animal de companhia;

· A violação do dever de cuidar do animal, que crie perigo para a sua vida ou integridade de outrem;

· As intervenções cirúrgicas e as amputações destinadas a modificar a aparência;

· O maneio e treino de animais com brutalidade

Paralelamente a estas responsabilidades de natureza legal, os donos não devem esquecer as responsabilidades de natureza cívica, não permitindo que os seus animais circulem livremente na via pública, zelando pela segurança das outras pessoas e dos outros animais e, também, pela manutenção da limpeza e higiene dos jardins e espaços públicos. Os donos são, assim, os primeiros responsáveis pela saúde e bem-estar dos seus animais e pela sua correcta integração na sociedade actual.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Raiva – A importância da vacinação!

No passado dia 28 de Setembro foi comemorado o Dia Mundial da Raiva.

O principal objectivo desta comemoração foi aumentar a consciencialização e fortalecer a prevenção e controle da doença.

A sua prevenção é simples, ela é 100% eficaz através da vacinação.

A Raiva, também conhecida por “hidrofobia” (medo da água), é uma doença vírica infecciosa do sistema nervoso, que afecta todos os mamíferos, incluindo o Homem. Pensa-se que será a doença mortal mais antiga que se conhece.

A sua transmissão é feita pelo contacto com saliva infectada, pelas mordeduras, arranhões, feridas, dos animais doentes. A partir do momento que os sintomas aparecem, esta doença é sempre fatal, tanto para os animais como para os Humanos. No entanto existe um tratamento, imediatamente após a exposição de uma mordedura de um animal suspeito. Penso que haverá alguns leitores que já passaram por esta experiência, sobretudo os que já viveram no continente Africano ou Americano. Cerca de 10 milhões de pessoas no mundo são tratadas todos os anos.

Para a maioria de nós, esta doença só é mencionada aquando da vacinação anual dos nossos cães, que muitas vezes é subvalorizada. Ela é vista somente como uma imposição legal…mas o certo é que a raiva é a 10ª causa de morte humana, por uma agente infeccioso.

A Raiva tem sido eliminada na maioria dos países em vias de desenvolvimento, no entanto, morrem por ano cerca de 55.000 pessoas (70% são crianças com menos de 15 anos), principalmente no Continente Africano e Asiático, mais nas zonas rurais, onde o principal reservatório é o cão.

Na Europa a raiva ainda persiste, essencialmente na fauna silvestre (principal reservatório é a raposa vermelha, mas também em morcegos aqui ao lado em Espanha), e quanto eu sei, o termo fronteira, não se aplica a estes animais, tendo livre arbítrio de movimentação. Nos países chamados de Leste ainda esta doença ainda existe nos animais domésticos.

Uma das maiores preocupações é a entrada na Europa de animais domésticos não vacinados, oriundos essencialmente do Continente Africano. Com certeza lembram-se o ano passado, do caso de um cachorro com raiva em França, oriundo de Marrocos.

Desde 1995, existe em Portugal um programa de epidemiovigilância nos animais silvestres (raposa e saca rabos), que são submetidos a pesquisa laboratorial, e felizmente até à presente data todos os resultados têm sido negativos.

Os serviços veterinários Portugueses têm mantido uma campanha de vacinação anual obrigatória, sistemática desde 1926. Foi a eficácia destas campanhas que permitiu erradicar a doença, sendo Portugal um dos primeiros países do mundo a obter o estatuto de “País oficialmente indemne (livre) de Raiva”desde 1956.

É pois uma grande responsabilidade de todos nós, e principalmente os donos de cães, manter este importante estatuto.

Infelizmente verifica-se aqui na nossa região uma grande desvalorização da vacinação contra a raiva, particularmente por parte dos caçadores, cujos cães estão mais expostos à fauna silvestre, e como tal encontram-se em maior risco.

A vacinação contra raiva fortalece a confiança nas relações que temos com os nossos animais.

Se é dono de um cão vacine sempre o seu melhor amigo!

Publicado no Jornal Nordeste, 21-10-2008

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Gato novo em casa…um prazer para descobrir!

A chegada de um gatinho é sempre um grande acontecimento!

Os primeiros momentos (e dias) são muito importantes para uma perfeita adaptação à nova família.

Os gatos são criaturas de hábitos e não gostam de muitas mudanças, por isso demoram um pouco a adaptar-se correctamente a novos ambientes. É preciso ter paciência!

Na chegada à sua nova casa, um gatinho deve ser primeiro colocado num espaço mais reduzido (por exemplo um quarto) onde ele poderá explorar com calma, e só mais tarde deve ter acesso à casa toda. Não devemos forçar a aproximação, o gatinho é que deve vir ter connosco. Podemos cativá-lo com comida ou festas, sempre calmamente. Ele deve aprender a confiar na nova família e a não ter medo.

Os gatos são animais sociais, e para tal necessitam de interagir com o meio e com as pessoas que os rodeiam. É por isso importante brincar com o seu gato, todos os dias, de modo a libertar energias, especialmente à noite, antes de ir dormir. (para não acordar o dono logo de manhãzinha…).

Os gatinhos são especialmente energéticos e curiosos, fazendo parte do seu crescimento e desenvolvimento corporal, o saltar, o correr, fazer “emboscadas” ás nossas pernas, e a derrubar tudo o que está em cima dos móveis. Estes comportamentos são normais de um gatinho que está a explorar e a conhecer o meio que o rodeia. Existem também no mercado vários tipos de brinquedos e “arranhadores” que poderão ser bastante apelativos para o seu novo gatinho.

Os gatos têm um instinto natural de fazer as suas necessidades na areia, não sendo, normalmente, necessário ensiná-lo a ir há caixinha da areia. No entanto, é importante que o local escolhido seja bem acessível, longe de zonas de passagens ou de muitos ruídos, distante do prato da comida, de modo que o gato se sinta tranquilo. Regra geral, é necessário uma caixa de areia por cada gato, mais outra extra.

Uma alimentação adequada, preferencialmente ração seca, vai assegurar um bom desenvolvimento do seu gato.

A desparasitação e vacinação regulares não devem ser esquecias pelo dono, o programa preventivo inicia-se aos 2 meses.

Desfrute de muitos rons-rons com este amigo muito especial….

Filipa Rodrigues

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Soluções para as férias...

Damos aqui algumas sugestões para poder ir de férias e deixar o seu amigo de quatro patas bem entregue.
Infelizmente em Bragança ainda não existe nenhum Canil com serviço de hospedagem, para este efeito terá de recorrer a Mirandela ou a Vila Real.
No entanto, existe agora um novo serviço de "Pet-sitting" em Bragança, que para além de cuidar do seu animal, na sua própria casa ,apresenta também outros serviços que poderão ser do seu interesse...
Ficam aqui os contactos:

Pet-sitting em Bragança :
934349523/916682458
Canil Intermunicipal da Terra Quente (Mirandela): 278 945333
Quinta Equestre da Sardoeira (Vila Real): 964080735

terça-feira, 20 de maio de 2008

Esterilização obrigatória para cães "perigosos"

Foi publicado, no dia 14 de Abril, o Despacho n.º 10819/2008, que determina a esterilização obrigatória dos cães das raças potencialmente “perigosas”, dispondo os detentores de um prazo de 4 meses, isto é, até ao dia 15 de Agosto de 2008, para a realização da mesma.
Esta medida legislativa, que considero excessiva na forma, surgiu na sequência de uma série de casos de agressões graves por mordedura a pessoas, fortemente mediatizados por parte de cães destas raças.
Importa esclarecer que a lista dos cães potencialmente perigosos, foi estabelecida na Portaria 4232/2004, na qual se incluem 7 raças: “Cão de fila brasileiro”; “Dogue Argentino”; “Pit Bull terrier”; “Rottweiller”; “Starffordshire terrier americano”; “Starffordshire bull terrier e o “ Tosa Inu”.A fundamentação para esta lista assentou, de acordo com a lei, no comportamento agressivo destas raças e no tamanho ou potência da mandíbula das mesmas (?).
Já na altura da publicação desta lista se considerou que a mesma era redutora e que não iria resolver o problema da perigosidade canina. A verdade é que todos os cães podem ser potencialmente perigosos se os seus donos forem potencialmente perigosos!
Não obstante a existência de legislação específica sobre a detenção destas raças, que também é aplicável a todos os cães com cadastro de mordeduras, não se tem verificado uma diminuição do número de agressões a pessoas. Muitos donos destes animais não têm tido uma atitude responsável na detenção dos mesmos e paralelamente não tem existido uma fiscalização efectiva por parte das autoridades policiais. Neste capítulo, refira-se que para fiscalizar tem de haver formação específica e não se pode verificar se o cão tem microchip se não se dispuser de um simples leitor de microchip!
Curiosamente, diria mesmo estranhamente, ficaram de fora desta obrigatoriedade de esterilização, os cães com “pedigree”, inscritos em livro de origem reconhecido (LOP). Não me parece que um documento de registo de raça, minimize o risco de agressividade se o dono não estiver suficientemente preparado para educar e socializar o seu cão.
E também importa perguntar neste País de “resmas” de Leis, porque não chegou a ser regulamentado o “atestado de capacidade física e psíquica” para os donos destes cães, tal como previsto na Lei n.º 49/2007 de 31 de Agosto?
Esta medida legislativa também surgiu na sequência de alguns ataques muito graves, um dos quais provocou a morte de uma mulher na zona de Lisboa, no Verão passado.
A agressividade canina não pode ser encarada de forma simplista, nem pode ser resolvida com medida legislativas avulsas, pois ela é multifactorial, sendo que o “factor” dono é o mais relevante.
Para terminar, falta saber se o valor da coima mínima, 500,00 Euros, irá ser suficientemente persuasiva para o cumprimento desta medida…


Publicado no Jornal Nordeste 14/05/08

domingo, 20 de abril de 2008

Sessão de Formação para Donos de Gatos

No passado dia 5 de Abril, a Clínica organizou em colaboração com a Royal Canin uma nova sessão de formação para donos de gatos, cujo tema “ Cuidados com o Gato”, mobilizou cerca de 40 donos destes bichanos muito especiais.
Os temas em debate foram os seguintes:
- A Importância do diagnóstico laboratorial precoce da Leucemia Felina (FeLV) e da Imunodeficiência Felina (FIV). A Dra. Filipa Rodrigues abordou estas duas importantes doenças dos gatos, aconselhando o seu diagnóstico precoce e alertando para os aspectos preventivos a considerar pelos donos. Informou ainda que na nossa Clínica foram já diagnosticados, nos últimos 7 anos, 10 gatos com Felv e 10 gatos com FIV, sendo que na sua maioria eram gatos oriundos da cidade de Bragança, nunca tendo estado noutro local, devendo por isso considerar-se este risco de infecção para todos os gatos saudáveis, particularmente os que vivem ou vão à rua.
- A Dra. Isabel Santos, Médica Veterinária, com formação especializada na área do comportamento animal falou-nos dos aspectos comportamentais dos gatos que importa conhecer para um melhor relacionamento com estes animais. Se é verdade que os gatos começaram a ser domesticados há cerca de 4.000 anos no antigo Egipto com uma função predatória sobre os ratos que ameaçavam as colheitas cerealíferas, hoje eles ocupam um lugar de importância crescente como animais de companhia, mais bem adaptados ao estilo de vida mais urbano dos seus donos. São mais independentes que os cães, mas nem por isso dispensam a interacção com o seu dono e uns “miminhos” no final do dia. Quando as alterações comportamentais existirem é sinal de que algum equilíbrio foi quebrado, sendo importante identificá-lo e corrigi-lo, mas para isso convêm conhecer o padrão de comportamento de um gato “normal”!
- Para finalizar a nossa sessão formativa, a Dra. Cátia Sá, da Royal Canin, falou-nos de aspectos relacionados com a nutrição dos gatos. Ficámos a saber que o gato aprecia os alimentos sobretudo pelo seu apurado olfacto e não pelo paladar. Também referiu que o gato é um “petiscador”, se tiver o alimento à sua disposição fará cerca de 10 a 16 de pequenas refeições por dia, sendo que estas não duram mais do que 2 a 3 minutos. Estas pequenas quantidades espaçadas ao longo do dia explicam a razão pela qual o trânsito digestivo se processa de forma tão rápida comparativamente ao Homem (12 a 24 horas contra 30 a 48). O gato também dedica pouco tempo à mastigação, engolindo os grânulos de ração num ápice ao contrário do que acontece connosco.

terça-feira, 18 de março de 2008

Leishmaniose .... a culpa é do mosquito!

A leishmaniose canina é uma doença endémica causada por um protozoário, Leishmania infantum. É uma zoonose que no Homem é conhecida como “Kala-azar”.

A transmissão desta afecção deve-se a um mosquito chamado flebótomo, um pequeno insecto, que vive principalmente nas regiões montanhosas. O mosquito é activo desde o crepúsculo e durante praticamente toda a noite, de Abril até Outubro. A fêmea (a única que pica) procura um animal de sangue quente para se alimentar, depois os parasitas amastigotas multiplicam-se no intestino do mosquito e transformam-se em promastigotas. São estas as formas infestantes que podem infectar um outro animal que seja picado. Não se sabe por que razão, mas estes mosquitos têm uma particular atracção pelo cão, sendo o focinho e a face interna da orelha as zonas de eleição para a picadela.

Na nossa região a leishmaniose pode considerar-se endémica. Até há poucos anos, apenas se considerava que esta doença era endémica na região do Alto Douro, porém dezenas de casos clínicos e exames laboratoriais efectuados ao longo da última década, permitem-nos hoje afirmar que a endemia é extensível à região de Bragança.

Nem todos os cães desenvolvem esta doença após a picada do mosquito, muitos são imuno-resistentes, outros são portadores assintomáticos. De acordo com a nossa experiência clínica, as raças mais susceptíveis são o Boxer, Doberman, Rottweiler, Pastor Alemão e Perdigueiros.

A Leishmaniose canina apresenta uma diversidade de sintomas nos cães, desde os dermatológicos, como peladas, descamação e úlceras até sintomas viscerais e gerais, como a anemia, perda de apetite e atrofia muscular.

De acordo com a informação disponível, nomeadamente de alguns estudos realizados em Espanha, a transmissão ao Homem, embora possível a partir do mosquito vector, sobretudo em pessoas com imuno-deficiências, não tem expressão significativa.

A prevenção da doença nos cães, em regiões endémicas como a nossa, é difícil pois ainda não existe qualquer vacina disponível . É por isso fundamental evitar o contacto com os mosquitos vectores. Para este efeito, recomenda-se a utilização de insecticidas repelentes específicos e o recolhimento dos cães durante a noite.