Foi publicado, no dia 14 de Abril, o Despacho n.º 10819/2008, que determina a esterilização obrigatória dos cães das raças potencialmente “perigosas”, dispondo os detentores de um prazo de 4 meses, isto é, até ao dia 15 de Agosto de 2008, para a realização da mesma.
Esta medida legislativa, que considero excessiva na forma, surgiu na sequência de uma série de casos de agressões graves por mordedura a pessoas, fortemente mediatizados por parte de cães destas raças.
Importa esclarecer que a lista dos cães potencialmente perigosos, foi estabelecida na Portaria 4232/2004, na qual se incluem 7 raças: “Cão de fila brasileiro”; “Dogue Argentino”; “Pit Bull terrier”; “Rottweiller”; “Starffordshire terrier americano”; “Starffordshire bull terrier e o “ Tosa Inu”.A fundamentação para esta lista assentou, de acordo com a lei, no comportamento agressivo destas raças e no tamanho ou potência da mandíbula das mesmas (?).
Já na altura da publicação desta lista se considerou que a mesma era redutora e que não iria resolver o problema da perigosidade canina. A verdade é que todos os cães podem ser potencialmente perigosos se os seus donos forem potencialmente perigosos!
Não obstante a existência de legislação específica sobre a detenção destas raças, que também é aplicável a todos os cães com cadastro de mordeduras, não se tem verificado uma diminuição do número de agressões a pessoas. Muitos donos destes animais não têm tido uma atitude responsável na detenção dos mesmos e paralelamente não tem existido uma fiscalização efectiva por parte das autoridades policiais. Neste capítulo, refira-se que para fiscalizar tem de haver formação específica e não se pode verificar se o cão tem microchip se não se dispuser de um simples leitor de microchip!
Curiosamente, diria mesmo estranhamente, ficaram de fora desta obrigatoriedade de esterilização, os cães com “pedigree”, inscritos em livro de origem reconhecido (LOP). Não me parece que um documento de registo de raça, minimize o risco de agressividade se o dono não estiver suficientemente preparado para educar e socializar o seu cão.
E também importa perguntar neste País de “resmas” de Leis, porque não chegou a ser regulamentado o “atestado de capacidade física e psíquica” para os donos destes cães, tal como previsto na Lei n.º 49/2007 de 31 de Agosto?
Esta medida legislativa também surgiu na sequência de alguns ataques muito graves, um dos quais provocou a morte de uma mulher na zona de Lisboa, no Verão passado.
A agressividade canina não pode ser encarada de forma simplista, nem pode ser resolvida com medida legislativas avulsas, pois ela é multifactorial, sendo que o “factor” dono é o mais relevante.
Para terminar, falta saber se o valor da coima mínima, 500,00 Euros, irá ser suficientemente persuasiva para o cumprimento desta medida…
terça-feira, 20 de maio de 2008
Esterilização obrigatória para cães "perigosos"
Publicado no Jornal Nordeste 14/05/08
domingo, 20 de abril de 2008
Sessão de Formação para Donos de Gatos
No passado dia 5 de Abril, a Clínica organizou em colaboração com a Royal Canin uma nova sessão de formação para donos de gatos, cujo tema “ Cuidados com o Gato”, mobilizou cerca de 40 donos destes bichanos muito especiais.Os temas em debate foram os seguintes:
- A Importância do diagnóstico laboratorial precoce da Leucemia Felina (FeLV) e da Imunodeficiência Felina (FIV). A Dra. Filipa Rodrigues abordou estas duas importantes doenças dos gatos, aconselhando o seu diagnóstico precoce e alertando para os aspectos preventivos a considerar pelos donos. Informou ainda que na nossa Clínica foram já diagnosticados, nos últimos 7 anos, 10 gatos com Felv e 10 gatos com FIV, sendo que na sua maioria eram gatos oriundos da cidade de Bragança, nunca tendo estado noutro local, devendo por isso considerar-se este risco de infecção para todos os gatos saudáveis, particularmente os que vivem ou vão à rua.
- A Dra. Isabel Santos, Médica Veterinária, com formação especializada na área do comportamento animal falou-nos dos aspectos comportamentais dos gatos que importa conhecer para um melhor relacionamento com estes animais. Se é verdade que os gatos começaram a ser domesticados há cerca de 4.000 anos no antigo Egipto com uma função predatória sobre os ratos que ameaçavam as colheitas cerealíferas, hoje eles ocupam um lugar de importância crescente como animais de companhia, mais bem adaptados ao estilo de vida mais urbano dos seus donos. São mais independentes que os cães, mas nem por isso dispensam a interacção com o seu dono e uns “miminhos” no final do dia. Quando as alterações comportamentais existirem é sinal de que algum equilíbrio foi quebrado, sendo importante identificá-lo e corrigi-lo, mas para isso convêm conhecer o padrão de comportamento de um gato “normal”!
- Para finalizar a nossa sessão formativa, a Dra. Cátia Sá, da Royal Canin, falou-nos de aspectos relacionados com a nutrição dos gatos. Ficámos a saber que o gato aprecia os alimentos sobretudo pelo seu apurado olfacto e não pelo paladar. Também referiu que o gato é um “petiscador”, se tiver o alimento à sua disposição fará cerca de 10 a 16 de pequenas refeições por dia, sendo que estas não duram mais do que 2 a 3 minutos. Estas pequenas quantidades espaçadas ao longo do dia explicam a razão pela qual o trânsito digestivo se processa de forma tão rápida comparativamente ao Homem (12 a 24 horas contra 30 a 48). O gato também dedica pouco tempo à mastigação, engolindo os grânulos de ração num ápice ao contrário do que acontece connosco.
terça-feira, 18 de março de 2008
Leishmaniose .... a culpa é do mosquito!
A leishmaniose canina é uma doença endémica causada por um protozoário, Leishmania infantum. É uma zoonose que no Homem é conhecida como “Kala-azar”.
A transmissão desta afecção deve-se a um mosquito chamado flebótomo, um pequeno insecto, que vive principalmente nas regiões montanhosas. O mosquito é activo desde o crepúsculo e durante praticamente toda a noite, de Abril até Outubro. A fêmea (a única que pica) procura um animal de sangue quente para se alimentar, depois os parasitas amastigotas multiplicam-se no intestino do mosquito e transformam-se em promastigotas. São estas as formas infestantes que podem infectar um outro animal que seja picado. Não se sabe por que razão, mas estes mosquitos têm uma particular atracção pelo cão, sendo o focinho e a face interna da orelha as zonas de eleição para a picadela.
Na nossa região a leishmaniose pode considerar-se endémica. Até há poucos anos, apenas se considerava que esta doença era endémica na região do Alto Douro, porém dezenas de casos clínicos e exames laboratoriais efectuados ao longo da última década, permitem-nos hoje afirmar que a endemia é extensível à região de Bragança.
Nem todos os cães desenvolvem esta doença após a picada do mosquito, muitos são imuno-resistentes, outros são portadores assintomáticos. De acordo com a nossa experiência clínica, as raças mais susceptíveis são o Boxer, Doberman, Rottweiler, Pastor Alemão e Perdigueiros.
A Leishmaniose canina apresenta uma diversidade de sintomas nos cães, desde os dermatológicos, como peladas, descamação e úlceras até sintomas viscerais e gerais, como a anemia, perda de apetite e atrofia muscular.
De acordo com a informação disponível, nomeadamente de alguns estudos realizados em Espanha, a transmissão ao Homem, embora possível a partir do mosquito vector, sobretudo em pessoas com imuno-deficiências, não tem expressão significativa.
A prevenção da doença nos cães, em regiões endémicas como a nossa, é difícil pois ainda não existe qualquer vacina disponível . É por isso fundamental evitar o contacto com os mosquitos vectores. Para este efeito, recomenda-se a utilização de insecticidas repelentes específicos e o recolhimento dos cães durante a noite.
A transmissão desta afecção deve-se a um mosquito chamado flebótomo, um pequeno insecto, que vive principalmente nas regiões montanhosas. O mosquito é activo desde o crepúsculo e durante praticamente toda a noite, de Abril até Outubro. A fêmea (a única que pica) procura um animal de sangue quente para se alimentar, depois os parasitas amastigotas multiplicam-se no intestino do mosquito e transformam-se em promastigotas. São estas as formas infestantes que podem infectar um outro animal que seja picado. Não se sabe por que razão, mas estes mosquitos têm uma particular atracção pelo cão, sendo o focinho e a face interna da orelha as zonas de eleição para a picadela.
Na nossa região a leishmaniose pode considerar-se endémica. Até há poucos anos, apenas se considerava que esta doença era endémica na região do Alto Douro, porém dezenas de casos clínicos e exames laboratoriais efectuados ao longo da última década, permitem-nos hoje afirmar que a endemia é extensível à região de Bragança.
Nem todos os cães desenvolvem esta doença após a picada do mosquito, muitos são imuno-resistentes, outros são portadores assintomáticos. De acordo com a nossa experiência clínica, as raças mais susceptíveis são o Boxer, Doberman, Rottweiler, Pastor Alemão e Perdigueiros.
A Leishmaniose canina apresenta uma diversidade de sintomas nos cães, desde os dermatológicos, como peladas, descamação e úlceras até sintomas viscerais e gerais, como a anemia, perda de apetite e atrofia muscular.
De acordo com a informação disponível, nomeadamente de alguns estudos realizados em Espanha, a transmissão ao Homem, embora possível a partir do mosquito vector, sobretudo em pessoas com imuno-deficiências, não tem expressão significativa.
A prevenção da doença nos cães, em regiões endémicas como a nossa, é difícil pois ainda não existe qualquer vacina disponível . É por isso fundamental evitar o contacto com os mosquitos vectores. Para este efeito, recomenda-se a utilização de insecticidas repelentes específicos e o recolhimento dos cães durante a noite.
quinta-feira, 6 de março de 2008
A educação do seu cão – alguns conselhos!

Para poder ter um cão equilibrado e obediente é necessário educá-lo, anote as seguintes Regras:
Inibição de Morder – O treino do seu cachorro começa logo que ele chega a casa. O hábito instintivo de morder deve ser reduzido, bastando para isso que o dono grite um Não forte e se afaste, manifestando o seu desagrado pelo comportamento;
Socialização – uma fase importante de aprendizagem do mundo que termina por volta dos 4 meses. Durante este período o cachorro deverá ser sujeito ao maior número de estímulos do seu meio ambiente envolvente. Não esquecer o contacto com crianças e outras pessoas para além do agregado familiar;
Métodos de treino positivos – Se um cachorro aprender um comportamento sem recurso à força física ou sem consequências negativas, é mais provável que o queira repetir, particularmente se existir uma recompensa ou um reforço positivo, por exemplo dando-lhe um biscoito e fazendo festas;
Com este método treino é possível iniciar o treino de obediência básica – treine o SENTA, DEITA, FICA, VEM... .
Ignorar os comportamentos negativos - Ignorar um cachorro quando faz algo de errado, é o melhor “castigo” que se lhe pode aplicar. Por exemplo para lidar correctamente com um cachorro que salta tapar uma pessoa, deve-se ignorar a acção, esperar que o cachorro tenha as quatro patas apoiadas no chão e só nesta altura é que deverá ser recompensado com festas ou com um biscoito
Inibição de Morder – O treino do seu cachorro começa logo que ele chega a casa. O hábito instintivo de morder deve ser reduzido, bastando para isso que o dono grite um Não forte e se afaste, manifestando o seu desagrado pelo comportamento;
Socialização – uma fase importante de aprendizagem do mundo que termina por volta dos 4 meses. Durante este período o cachorro deverá ser sujeito ao maior número de estímulos do seu meio ambiente envolvente. Não esquecer o contacto com crianças e outras pessoas para além do agregado familiar;
Métodos de treino positivos – Se um cachorro aprender um comportamento sem recurso à força física ou sem consequências negativas, é mais provável que o queira repetir, particularmente se existir uma recompensa ou um reforço positivo, por exemplo dando-lhe um biscoito e fazendo festas;
Com este método treino é possível iniciar o treino de obediência básica – treine o SENTA, DEITA, FICA, VEM... .
Ignorar os comportamentos negativos - Ignorar um cachorro quando faz algo de errado, é o melhor “castigo” que se lhe pode aplicar. Por exemplo para lidar correctamente com um cachorro que salta tapar uma pessoa, deve-se ignorar a acção, esperar que o cachorro tenha as quatro patas apoiadas no chão e só nesta altura é que deverá ser recompensado com festas ou com um biscoito
domingo, 2 de março de 2008
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
A saúde oral do seu cão
Filipa Rodrigues
Médica Veterinária
O mau hálito é uma das principais queixas dos donos no relacionamento com os seus cães. É importante, pois, conhecer um pouco as causas deste problema e as formas de o prevenir.
O cão adulto possui 42 dentes, ocorrendo a erupção dos dentes definitivos entre os 4 e os 7 meses de idade.
A doença periodontal é a afecção mais comum da cavidade oral dos cães. Estudos recentes demonstram que mais de 85% dos cães com idade superior a 3 anos sofrem de doença periodontal (American Veterinary Dental Society).
Este problema tem início com a acumulação da placa dentária (película fina viscosa e transparente), constituída por mais de 300 bactérias da cavidade bucal, que se forma sobre os dentes após cada refeição (e mesmo depois de 6 horas após a limpeza dos dentes). Com o decorrer do tempo, esta placa dentária pode sofrer mineralização pela fixação do cálcio salivar e transformar-se em tártaro. As bactérias presentes na placa dentária infectam as gengivas e outras estruturas dos dentes.
As consequências da doença periodontal podem ser de dois tipos: locais ou sistémicas.
A nível local, esta patologia é responsável por halitose (mau hálito) persistente, gengivite, periodontite, dor, dificuldade na mastigação, perda de peso por não conseguir comer, perda de dentes e abcessos. As patologias crónicas da boca podem conduzir à disseminação dessas bactérias pela corrente sanguínea, e, por consequência, a infecções secundárias nos pulmões, coração, rins e articulações.
Para controlar a evolução da doença periodontal, é necessária a eliminação do tártaro e da placa dentária, através da destartarização, realizada pelo Médico Veterinário.
Um bom programa de Higiene Oral começa logo a partir dos 6/7 meses de idade durante as consultas de rotina do seu cachorro.
As medidas preventivas para a higiene dentária do seu animal incluem:
- Escovagem dos dentes com pastas dentífricas específicas que removem a placa dentária da superfície dos dentes e dos sulcos gengivais antes da sua mineralização em tártaro;
- Suplementos orais (barras dentárias) que obriguem os animais a mastigarem promovendo a limpeza mecânica dos dentes
- Alimentação adequada, preferivelmente seca (ração), retirando de todo os alimentos açucarados da dieta.
Médica Veterinária
O mau hálito é uma das principais queixas dos donos no relacionamento com os seus cães. É importante, pois, conhecer um pouco as causas deste problema e as formas de o prevenir.O cão adulto possui 42 dentes, ocorrendo a erupção dos dentes definitivos entre os 4 e os 7 meses de idade.
A doença periodontal é a afecção mais comum da cavidade oral dos cães. Estudos recentes demonstram que mais de 85% dos cães com idade superior a 3 anos sofrem de doença periodontal (American Veterinary Dental Society).
Este problema tem início com a acumulação da placa dentária (película fina viscosa e transparente), constituída por mais de 300 bactérias da cavidade bucal, que se forma sobre os dentes após cada refeição (e mesmo depois de 6 horas após a limpeza dos dentes). Com o decorrer do tempo, esta placa dentária pode sofrer mineralização pela fixação do cálcio salivar e transformar-se em tártaro. As bactérias presentes na placa dentária infectam as gengivas e outras estruturas dos dentes.
As consequências da doença periodontal podem ser de dois tipos: locais ou sistémicas.
A nível local, esta patologia é responsável por halitose (mau hálito) persistente, gengivite, periodontite, dor, dificuldade na mastigação, perda de peso por não conseguir comer, perda de dentes e abcessos. As patologias crónicas da boca podem conduzir à disseminação dessas bactérias pela corrente sanguínea, e, por consequência, a infecções secundárias nos pulmões, coração, rins e articulações.
Para controlar a evolução da doença periodontal, é necessária a eliminação do tártaro e da placa dentária, através da destartarização, realizada pelo Médico Veterinário.
Um bom programa de Higiene Oral começa logo a partir dos 6/7 meses de idade durante as consultas de rotina do seu cachorro.
As medidas preventivas para a higiene dentária do seu animal incluem:
- Escovagem dos dentes com pastas dentífricas específicas que removem a placa dentária da superfície dos dentes e dos sulcos gengivais antes da sua mineralização em tártaro;
- Suplementos orais (barras dentárias) que obriguem os animais a mastigarem promovendo a limpeza mecânica dos dentes
- Alimentação adequada, preferivelmente seca (ração), retirando de todo os alimentos açucarados da dieta.
domingo, 2 de dezembro de 2007
Animais Com Companhia
Fido - a História de um cão que virou estátua

O espírito da época natalícia leva-me a contar uma história em que o protagonista é um cão, de nome Fido, que é também um cartaz turístico de uma pequena localidade Italiana, San Lorenzo, na região da Toscana, em Itália e que encontrei numa passagem pelo ciberespaço.
A história fala-nos de valores, de amizade, de gratidão e de lealdade, entre um cão e o seu dono.
Em plena segunda guerra mundial, Carlo Soriani, um operário de San Lorenzo, recolheu um cachorro ferido que se encontrava na berma da estrada, tratou-o e alimentou-o. Este seu novo amigo passou a partilhar alguns hábitos com o dono, um dos mais curiosos era aguardá-lo todos os dias, na hora do regresso do trabalho, na paragem do autocarro, e acompanhá-lo de regresso a casa. Em Dezembro de 1943 e na sequência de um bombardeamento aéreo, o dono morreu, mas Fido manteve o hábito diário de aguardar o regresso do dono, na mesma paragem de autocarro, à mesma hora, como se nada tivesse acontecido, ou como se houvesse uma secreta esperança de um regresso impossível.
O mais surpreendente é que isto aconteceu durante 14 anos, o que não deixou de sensibilizar toda a comunidade de San Lorenzo, que como prova desta dedicação e lealdade lhe atribuiu uma distinção pública, partilhada com grande emoção pela viúva de Carlo Soriani.
Em 9 de Junho de 1958, Fido morreu e como gesto de reconhecimento pela sua dedicação ao dono, foi enterrado junto à sua campa no cemitério local.
A estátua que hoje se encontra em San lorenzo imortaliza este cão e simbolicamente homenageia também toda a espécie canina, pela lealdade, protecção e companheirismo que tem tido para com o Homem, ao longo dos últimos 20.000 anos, traduzindo em bronze que “ O cão é o melhor amigo do Homem”.
Boas festas para todos e um bom ano de 2008, em particular para os que partilham o seu tempo e espaço com um animal de companhia.
Duarte Diz Lopes
A história fala-nos de valores, de amizade, de gratidão e de lealdade, entre um cão e o seu dono.
Em plena segunda guerra mundial, Carlo Soriani, um operário de San Lorenzo, recolheu um cachorro ferido que se encontrava na berma da estrada, tratou-o e alimentou-o. Este seu novo amigo passou a partilhar alguns hábitos com o dono, um dos mais curiosos era aguardá-lo todos os dias, na hora do regresso do trabalho, na paragem do autocarro, e acompanhá-lo de regresso a casa. Em Dezembro de 1943 e na sequência de um bombardeamento aéreo, o dono morreu, mas Fido manteve o hábito diário de aguardar o regresso do dono, na mesma paragem de autocarro, à mesma hora, como se nada tivesse acontecido, ou como se houvesse uma secreta esperança de um regresso impossível.
O mais surpreendente é que isto aconteceu durante 14 anos, o que não deixou de sensibilizar toda a comunidade de San Lorenzo, que como prova desta dedicação e lealdade lhe atribuiu uma distinção pública, partilhada com grande emoção pela viúva de Carlo Soriani.
Em 9 de Junho de 1958, Fido morreu e como gesto de reconhecimento pela sua dedicação ao dono, foi enterrado junto à sua campa no cemitério local.
A estátua que hoje se encontra em San lorenzo imortaliza este cão e simbolicamente homenageia também toda a espécie canina, pela lealdade, protecção e companheirismo que tem tido para com o Homem, ao longo dos últimos 20.000 anos, traduzindo em bronze que “ O cão é o melhor amigo do Homem”.
Boas festas para todos e um bom ano de 2008, em particular para os que partilham o seu tempo e espaço com um animal de companhia.
Duarte Diz Lopes
terça-feira, 30 de outubro de 2007
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Animais com Companhia
O Distrito de Bragança regista a maior incidência no Homem de casos de Febre da Carraça (Febre Escaro Nodular) em Portugal. Não obstante este número ter sofrido uma redução nos últimos anos - há uma década atrás registavam-se mais de 100 casos por ano e em 2005 foram notificados somente 36 casos de doença - é importante considerar medidas preventivas, a começar com os cuidados com os animais de companhia.
Com as condições climáticas atípicas deste início de Verão, com muita humidade nos solos e o consequente crescimento de muita vegetação, é de prever que os ciclos biológicos das carraças tenham todas as condições favoráveis para se desenvolverem e causarem muita preocupação não só aos donos dos animais, mas à população em geral, particularmente à população rural.
As carraças também são vectores de diversas doenças para os animais domésticos. No caso do cão, temos vindo a registar na nossa região muitos casos de Babesiose e Erliquiose, doenças que têm um quadro sintomático muito parecido com a febre da carraça nos humanos, com febre alta, dores musculares e perda de sangue na urina.
Em termos de Saúde Pública, a transmissão da Febre da Carraça (Escaro Nodular) é a principal preocupação resultante da picada deste artrópode. Ocorre pela inoculação de saliva da carraça em média 6 a 20 horas após a picada. A remoção imediata de qualquer carraça do corpo deve ser a primeira atitude para evitar que a mesma tenha tempo de inocular qualquer doença, tendo em atenção aos seguintes aspectos:
Correcto:
Prender a carraça com o polegar e o indicador, protegendo os dedos com papel ou algodão, rodar ligeiramente e puxar até que se solte
Desinfectar o local da picada
Consultar o Médico se ocorrer alteração do estado de saúde, como febre, manchas na pele, dores musculares
Errado:
Colocar sobre a carraça uma substância gordurosa, como o azeite ou óleo alimentar. Isto só vai provocar stress na carraça, podendo inocular mais rapidamente qualquer agente infeccioso de que seja portadora
Aproximar uma fonte de calor, como por exemplo a ponta de um cigarro
Perfurar ou cortar o corpo da carraça. Isto nunca deve ser feito!
No que respeita à prevenção:
No Homem e quando em actividades ao ar livre em zonas de vegetação densa, com muitas ervas:
• Reduzir a área de pele exposta, usando roupa com mangas, calças compridas, meias por fora das calças e sapatos fechados;
• Usar roupa de cores claras;
• Após a detecção deve efectuar-se a remoção imediata.
Nos animais de companhia:
. Após os passeios no exterior deverá ser verificada a presença de carraças no pêlo, as quais deverão ser de imediato removidas;
. Desparasitação externa sistemática, utilizando produtos insecticidas específicos, como coleiras, pipetas e sprays, recomendados pelo Médico Veterinário;
. Desinfestação dos canis e meio ambiente circundante. Uma carraça fêmea adulta depois de bem alimentada pode pôr mais de 2.000 ovos no solo, que, com condições climáticas favoráveis, dão origem a ninfas, que, por sua vez, depois de alimentadas com sangue, originam as carraças adultas. Este ciclo biológico com condições favoráveis pode durar apenas cerca de 2 meses, daí a facilidade com que por vezes nos deparamos com autênticas pragas de carraças, com milhares de ninfas e carraças ávidas por se alimentarem de sangue.
Com as condições climáticas atípicas deste início de Verão, com muita humidade nos solos e o consequente crescimento de muita vegetação, é de prever que os ciclos biológicos das carraças tenham todas as condições favoráveis para se desenvolverem e causarem muita preocupação não só aos donos dos animais, mas à população em geral, particularmente à população rural.
As carraças também são vectores de diversas doenças para os animais domésticos. No caso do cão, temos vindo a registar na nossa região muitos casos de Babesiose e Erliquiose, doenças que têm um quadro sintomático muito parecido com a febre da carraça nos humanos, com febre alta, dores musculares e perda de sangue na urina.
Em termos de Saúde Pública, a transmissão da Febre da Carraça (Escaro Nodular) é a principal preocupação resultante da picada deste artrópode. Ocorre pela inoculação de saliva da carraça em média 6 a 20 horas após a picada. A remoção imediata de qualquer carraça do corpo deve ser a primeira atitude para evitar que a mesma tenha tempo de inocular qualquer doença, tendo em atenção aos seguintes aspectos:
Correcto:
Prender a carraça com o polegar e o indicador, protegendo os dedos com papel ou algodão, rodar ligeiramente e puxar até que se solte
Desinfectar o local da picada
Consultar o Médico se ocorrer alteração do estado de saúde, como febre, manchas na pele, dores musculares
Errado:
Colocar sobre a carraça uma substância gordurosa, como o azeite ou óleo alimentar. Isto só vai provocar stress na carraça, podendo inocular mais rapidamente qualquer agente infeccioso de que seja portadora
Aproximar uma fonte de calor, como por exemplo a ponta de um cigarro
Perfurar ou cortar o corpo da carraça. Isto nunca deve ser feito!
No que respeita à prevenção:
No Homem e quando em actividades ao ar livre em zonas de vegetação densa, com muitas ervas:
• Reduzir a área de pele exposta, usando roupa com mangas, calças compridas, meias por fora das calças e sapatos fechados;
• Usar roupa de cores claras;
• Após a detecção deve efectuar-se a remoção imediata.
Nos animais de companhia:
. Após os passeios no exterior deverá ser verificada a presença de carraças no pêlo, as quais deverão ser de imediato removidas;
. Desparasitação externa sistemática, utilizando produtos insecticidas específicos, como coleiras, pipetas e sprays, recomendados pelo Médico Veterinário;
. Desinfestação dos canis e meio ambiente circundante. Uma carraça fêmea adulta depois de bem alimentada pode pôr mais de 2.000 ovos no solo, que, com condições climáticas favoráveis, dão origem a ninfas, que, por sua vez, depois de alimentadas com sangue, originam as carraças adultas. Este ciclo biológico com condições favoráveis pode durar apenas cerca de 2 meses, daí a facilidade com que por vezes nos deparamos com autênticas pragas de carraças, com milhares de ninfas e carraças ávidas por se alimentarem de sangue.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Conhecer a reprodução da sua gata ou cadela
Para uma melhor compreensão da fisiologia e do comportamento ligado à reprodução da gata e da cadela, consideramos importante para o dono conhecer algumas particularidades deste período tão importante na vida do seu animal de companhia, que por vezes se torna tão problemático!
As gatas são animais que fazem vários cios (poliéstricas) sazonais, estando, pois, dependentes da época do ano. Nas zonas temperadas, no hemisfério norte, a época do cio começa normalmente em Janeiro/Fevereiro e termina entre Setembro e Outubro. Uma gata doméstica atinge a puberdade (primeiro cio) depois de alcançar 80% do seu peso corporal (2,3-2,5 kg), o que acontece por volta dos 6-9 meses.
A duração média do cio nas gatas é de 3 a 10 dias, com intervalos de 2 a 3 semanas, portanto existem vários cios ao longo da época reprodutiva.
Os donos (ou os vizinhos) notam logo que a sua gata entra em cio, pois existem alterações de comportamento, vocalização (miam) frequente (que não deixa ninguém dormir! …), maior agitação e agressividade, vontade de sair de casa e de urinar mais vezes e necessidade de se roçar vagarosamente nas nossas pernas, ….
Nas cadelas o momento do primeiro cio depende muito da raça e do tamanho do animal. As raças pequenas têm o primeiro cio mais cedo do que as grandes, pois, normalmente, o de uma cadela pequena ocorre entre os 6 e 10 meses, enquanto que o de uma cadela grande pode ocorrer entre os 12 a 24 meses. Este primeiro cio pode ainda ser silencioso, ou seja, não detectável pelo dono. As cadelas são diferentes das gatas, não estando o seu cio dependente da estação do ano. Têm habitualmente dois cios por ano, com intervalo médio de 5 a 11 meses. De notar que na fase inicial do cio (proestro) começa a surgir um corrimento hemorrágico, existindo atracção dos machos. Esta fase dura 6 a 11 dias, findos os quais se entra na fase de cio propriamente dita, em que a cadela já aceita o macho, e que tem uma duração média de 5 a 9 dias. O período total do cio dura em média 15 a 21 dias.
É de referir, por curiosidade, que as gatas tal como as cadelas não entram em menopausa, como acontece nas mulheres, o que acontece é que nas fêmeas mais idosas, os cios podem ser menos frequentes, a sua fertilidade diminui, têm ninhadas mais pequenas, e além disso, as complicações durante o parto são mais comuns.
O controlo reprodutivo dos nossos animais domésticos, particularmente da população canina e felina, é um tema que preocupa muito os donos, mas que não é indiferente à comunidade em geral. Todos nós nos preocupamos com o excesso de cães e gatos vadios ou errantes na rua e com as consequências daí resultantes, quer no capítulo da Higiene e Saúde Pública, bem-estar animal, mas também na própria segurança e qualidade de vida dos cidadãos.
No que respeita ao controlo reprodutivo, tanto nas gatas como nas cadelas, existem duas opções: o controlo hormonal e a cirurgia.
1. Controlo hormonal: tem um custo mais reduzido, é reversível e a qualquer momento a cadela ou gata pode retomar a actividade reprodutiva. Tem como principais desvantagens o maior risco de infecções uterinas e de tumores mamários e como consequência a menor esperança de vida.
2.A Cirurgia (Esterilização): tem como principais vantagens, a diminuição do risco de desenvolvimento de tumores mamários (se a cirurgia for feita antes do 3.º cio), eliminando também os principais problemas do aparelho reprodutor, nomeadamente a ocorrência de quistos ováricos e de infecções uterinas. Tem como desvantagem o custo mais elevado e os riscos inerentes à cirurgia/anestesia, que no entanto são mínimos num animal saudável.
Cadela
As gatas são animais que fazem vários cios (poliéstricas) sazonais, estando, pois, dependentes da época do ano. Nas zonas temperadas, no hemisfério norte, a época do cio começa normalmente em Janeiro/Fevereiro e termina entre Setembro e Outubro. Uma gata doméstica atinge a puberdade (primeiro cio) depois de alcançar 80% do seu peso corporal (2,3-2,5 kg), o que acontece por volta dos 6-9 meses.
A duração média do cio nas gatas é de 3 a 10 dias, com intervalos de 2 a 3 semanas, portanto existem vários cios ao longo da época reprodutiva.
Os donos (ou os vizinhos) notam logo que a sua gata entra em cio, pois existem alterações de comportamento, vocalização (miam) frequente (que não deixa ninguém dormir! …), maior agitação e agressividade, vontade de sair de casa e de urinar mais vezes e necessidade de se roçar vagarosamente nas nossas pernas, ….
Nas cadelas o momento do primeiro cio depende muito da raça e do tamanho do animal. As raças pequenas têm o primeiro cio mais cedo do que as grandes, pois, normalmente, o de uma cadela pequena ocorre entre os 6 e 10 meses, enquanto que o de uma cadela grande pode ocorrer entre os 12 a 24 meses. Este primeiro cio pode ainda ser silencioso, ou seja, não detectável pelo dono. As cadelas são diferentes das gatas, não estando o seu cio dependente da estação do ano. Têm habitualmente dois cios por ano, com intervalo médio de 5 a 11 meses. De notar que na fase inicial do cio (proestro) começa a surgir um corrimento hemorrágico, existindo atracção dos machos. Esta fase dura 6 a 11 dias, findos os quais se entra na fase de cio propriamente dita, em que a cadela já aceita o macho, e que tem uma duração média de 5 a 9 dias. O período total do cio dura em média 15 a 21 dias.
É de referir, por curiosidade, que as gatas tal como as cadelas não entram em menopausa, como acontece nas mulheres, o que acontece é que nas fêmeas mais idosas, os cios podem ser menos frequentes, a sua fertilidade diminui, têm ninhadas mais pequenas, e além disso, as complicações durante o parto são mais comuns.
O controlo reprodutivo dos nossos animais domésticos, particularmente da população canina e felina, é um tema que preocupa muito os donos, mas que não é indiferente à comunidade em geral. Todos nós nos preocupamos com o excesso de cães e gatos vadios ou errantes na rua e com as consequências daí resultantes, quer no capítulo da Higiene e Saúde Pública, bem-estar animal, mas também na própria segurança e qualidade de vida dos cidadãos.
No que respeita ao controlo reprodutivo, tanto nas gatas como nas cadelas, existem duas opções: o controlo hormonal e a cirurgia.
1. Controlo hormonal: tem um custo mais reduzido, é reversível e a qualquer momento a cadela ou gata pode retomar a actividade reprodutiva. Tem como principais desvantagens o maior risco de infecções uterinas e de tumores mamários e como consequência a menor esperança de vida.
2.A Cirurgia (Esterilização): tem como principais vantagens, a diminuição do risco de desenvolvimento de tumores mamários (se a cirurgia for feita antes do 3.º cio), eliminando também os principais problemas do aparelho reprodutor, nomeadamente a ocorrência de quistos ováricos e de infecções uterinas. Tem como desvantagem o custo mais elevado e os riscos inerentes à cirurgia/anestesia, que no entanto são mínimos num animal saudável.
Cadela
1º Cio (Puberdade)
Raça Pequena – 6-10 meses
Raça Grande – 12-24 meses
Raça Pequena – 6-10 meses
Raça Grande – 12-24 meses
Nº cios por ano - 1-2
Tempo de Gestação - 56-70 Dias
Gata
Gata
Puberdade: 6-9 Meses
N.º Cio Por ano: Vários cio sazonais
Tempo de Gestação - 64-68 Dias
quarta-feira, 4 de outubro de 2006
4 de Outubro, dia mundial do animal, Bragança não adere!
Na última edição deste jornal foi publicada uma fotografia”em flagrante”, que retratava uma situação habitual na nossa cidade: a presença em tudo o que é esquina de cães vadios ou errantes.
Não podendo deixar de me incomodar e inconformar com esta triste realidade, aproveito a efeméride do 4 de Outubro, dia mundial do animal, e esperando que São Francisco de Assis como padroeiro dos animais, possa ajudar a elevar este testemunho, para abordar a condição de ser animal de quatro patas em Bragança.
O abandono de animais é definido no Decreto-Lei n.º 276/2001 de 17 de Outubro, no seu art.º 6.º-A, “ Considera-se abandono de animais de companhia a não prestação de cuidados no alojamento, bem como a sua remoção efectuada pelos detentores para fora do domicilio,..., com vista a pôr termo à sua detenção, sem que procedam à sua transmissão para aguarda e responsabilidade de outras pessoas, das autarquias locais e ou das sociedades zoófilas”. Não obstante a penalização prevista para o abandono ser a aplicação de coima mínima de 500 Euros, esta é ainda de limitado efeito prático, uma vez que só a identificação electrónica, com colocação de microchip, pode fazer prova da propriedade do canídeo, e esta medida está neste momento restrita aos cães de caça e às raças potencialmente perigosas. A universalidade desta identificação para todas as raças será aplicada só a partir de 2008.
O animal não é responsável pelo facto de ser vadio ou errante, aliás um hábito bem enraizado entre nós é o de “deixar o cão ir dar uma voltinha”. Assim, pode fazer o “cócó e xixi” nos espaços públicos sem que ninguém “chateie” o dono! Chama-se a isto falta de civismo dos donos e o coitado do animal é que corre o risco de vadiar na via pública, fugindo das rodas dos carros e dos sapatos das pessoas incomodadas com a sua presença.
Face a este triste cenário de impunidade para os donos prevaricadores, de risco para os animais e também para a saúde pública pela presença de animais habitualmente não vacinados, nem desparasitados nos espaços públicos, constata-se uma incapacidade da autarquia para ajudar a resolver o problema. Esta limita-se a efectuar capturas isoladas e a pedido, recolhendo os animais para um espaço não conforme com a legislação actual e sem as condições estruturais devidas, e impossibilita a aplicação de medidas activas de adopção de canídeos.
Nesta área não há que inventar nada, basta ver os bons exemplos que existem um pouco por todo o lado. Aqui na nossa região existe por exemplo, em Mirandela, um canil intermunicipal, que cumpre esse tipo de funções, permitindo inclusive a estadia de canídeos durante os períodos de férias dos donos.
A construção em Bragança de uma estrutura deste género é urgente, não esquecendo a vertente de hotel, que inclusive, permitiria criar alguma sustentabilidade económica ao projecto, para além do efeito positivo que poderia ter na redução do abandono de animais, sobretudo no período de férias, período onde se verifica o maior pico de abandonos. Para além do mais, um canil permitiria criar condições para implementar medidas de adopção de animais capturados, reduzindo o número de eutanásias praticadas.
A sensibilização dos donos para um melhor cuidado com os seus animais também é fundamental e a primeira pergunta a colocar deverá ser sempre: Será que tenho condições em casa para ter um animal?
Já alguém escreveu que o nível de desenvolvimento de um povo se vê pela forma como trata os seus animais. Em Bragança neste capítulo o nível de desenvolvimento ainda é, infelizmente, muito baixo!
Duarte Diz Lopes
Não podendo deixar de me incomodar e inconformar com esta triste realidade, aproveito a efeméride do 4 de Outubro, dia mundial do animal, e esperando que São Francisco de Assis como padroeiro dos animais, possa ajudar a elevar este testemunho, para abordar a condição de ser animal de quatro patas em Bragança.
O abandono de animais é definido no Decreto-Lei n.º 276/2001 de 17 de Outubro, no seu art.º 6.º-A, “ Considera-se abandono de animais de companhia a não prestação de cuidados no alojamento, bem como a sua remoção efectuada pelos detentores para fora do domicilio,..., com vista a pôr termo à sua detenção, sem que procedam à sua transmissão para aguarda e responsabilidade de outras pessoas, das autarquias locais e ou das sociedades zoófilas”. Não obstante a penalização prevista para o abandono ser a aplicação de coima mínima de 500 Euros, esta é ainda de limitado efeito prático, uma vez que só a identificação electrónica, com colocação de microchip, pode fazer prova da propriedade do canídeo, e esta medida está neste momento restrita aos cães de caça e às raças potencialmente perigosas. A universalidade desta identificação para todas as raças será aplicada só a partir de 2008.
O animal não é responsável pelo facto de ser vadio ou errante, aliás um hábito bem enraizado entre nós é o de “deixar o cão ir dar uma voltinha”. Assim, pode fazer o “cócó e xixi” nos espaços públicos sem que ninguém “chateie” o dono! Chama-se a isto falta de civismo dos donos e o coitado do animal é que corre o risco de vadiar na via pública, fugindo das rodas dos carros e dos sapatos das pessoas incomodadas com a sua presença.
Face a este triste cenário de impunidade para os donos prevaricadores, de risco para os animais e também para a saúde pública pela presença de animais habitualmente não vacinados, nem desparasitados nos espaços públicos, constata-se uma incapacidade da autarquia para ajudar a resolver o problema. Esta limita-se a efectuar capturas isoladas e a pedido, recolhendo os animais para um espaço não conforme com a legislação actual e sem as condições estruturais devidas, e impossibilita a aplicação de medidas activas de adopção de canídeos.
Nesta área não há que inventar nada, basta ver os bons exemplos que existem um pouco por todo o lado. Aqui na nossa região existe por exemplo, em Mirandela, um canil intermunicipal, que cumpre esse tipo de funções, permitindo inclusive a estadia de canídeos durante os períodos de férias dos donos.
A construção em Bragança de uma estrutura deste género é urgente, não esquecendo a vertente de hotel, que inclusive, permitiria criar alguma sustentabilidade económica ao projecto, para além do efeito positivo que poderia ter na redução do abandono de animais, sobretudo no período de férias, período onde se verifica o maior pico de abandonos. Para além do mais, um canil permitiria criar condições para implementar medidas de adopção de animais capturados, reduzindo o número de eutanásias praticadas.
A sensibilização dos donos para um melhor cuidado com os seus animais também é fundamental e a primeira pergunta a colocar deverá ser sempre: Será que tenho condições em casa para ter um animal?
Já alguém escreveu que o nível de desenvolvimento de um povo se vê pela forma como trata os seus animais. Em Bragança neste capítulo o nível de desenvolvimento ainda é, infelizmente, muito baixo!
Duarte Diz Lopes
terça-feira, 27 de julho de 2004
Cão de Gado Transmontano

As histórias de lobos e os ataques aos rebanhos percorrem o imaginário de todos os transmontanos que, desde tempos imemoriais, se habituaram a conviver com esta realidade natural. Hoje, ainda existem alcateias, mas as histórias do “lobo mau” já não fazem brilhar os olhos das crianças à lareira.
Em muitas das recordações da minha infância, vivida numa recôndita aldeia do concelho de Vinhais, o “Cão do Gado”, de porte imponente, está presente, como guardador de rebanhos, fiel amigo do pastor e protegido do lobo pelas “carrancas” (coleiras de pregos) ameaçadoras.
Por isso, quando há quinze anos atrás iniciei a minha actividade profissional e regressei a esta região, pude com naturalidade constatar a presença de centenas de cães de guarda de rebanho, com padrões fisionómicos muito semelhantes e passíveis de serem classificados como pertencendo a uma raça específica ainda não tipificada.
Quando há 10 anos iniciámos o concurso do “Cão de Gado Transmontano”, na aldeia de Moimenta, concelho de Vinhais, respondendo aos anseios crescentes dos pastores que, paralelamente com o reconhecimento da raça ovina “Churra Galega Bragançana”, pretendiam distinguir os seus cães de gado e obter alguma orientação técnica para a sua selecção, sabíamos que o processo de reconhecimento iria ser moroso, exigindo, por isso, perseverança e determinação.
Se é verdade que a origem desta raça está relacionada com os restantes mastins ibéricos, a sua evolução e diferenciação foi determinada pelas rotas da transumância e pela adaptação à realidade edafoclimática e topográfica da região de Trás-os-Montes.
Numa região de montanha, com vegetação abundante, o cão de gado, no seu processo de adaptação natural, cresceu mais que outros mastins, sendo hoje um cão mais “quadrado”.
Da mesma forma, as funções de defesa do lobo, que desde sempre desempenhou, determinaram que o pastor seleccionasse os de pelagem branca malhada, de mais fácil percepção no monte e de todo distinta do padrão cromático do lobo.
O reconhecimento, no dia 2 de Abril de 2004, pela Assembleia Geral do Clube Português de Canicultura (CPC), daquela que é hoje considerada a 9.ª raça canina portuguesa foi o culminar de um processo que, ao longo destes 10 anos, envolveu diversas entidades, destacando-se na região a Câmara Municipal de Vinhais, entidade que promoveu sucessivos concursos de raça na aldeia da Moimenta, e o Parque Natural de Montesinho, que tem desenvolvido um trabalho meritório na preservação da raça e particularmente no desenvolvimento de um programa de colocação e acompanhamento de cachorros em rebanhos. A nível nacional, o trabalho desenvolvido pelo CPC foi fundamental neste processo. A direcção do clube e a comissão de raças portuguesas efectuaram um exaustivo trabalho de campo, constatando no terreno a existência de centenas de bons exemplares , o que pôde dar suporte, posteriormente, a uma proposta de estalão da raça.
O projecto de estalão da autoria da Presidente da Direcção do CPC, Carla Molinari e do Dr. José Cabral, para além de um excelente trabalho técnico, traduz também a plena diferenciação da raça das demais existentes, em particular da do “Rafeiro do Alentejo”.
Na aparência geral, é referido no projecto de estalão como “Cão molossoide de grande tamanho, forte e rústico, que se evidencia pelo seu aspecto imponente, porte altivo olhar sóbrio. Tem o perfil lateral quadrado, com membros altos, de ossadura forte, naturalmente direitos e bem aprumados, ventre ligeiramente arregaçado, e angulações posteriores moderadas”
No temperamento e comportamento, é dito que “Não obstante a sua corpulência, é um cão de temperamento dócil, mas reservado, é cauteloso, sem ser agressivo, sempre calmo e com o olhar sereno. É um excepcional vigia nas sua funções de guarda de rebanhos, contra o ataque dos lobos...”
É de salientar que este é, sem dúvida alguma, o maior cão das raças portuguesas. No projecto de estalão as alturas apontadas para os machos são de 74 a 82 cm e para as fêmeas são de 66 a 76 cm.
Esta raça constitui um património genético valioso da região de Trás-os-Montes e o seu reconhecimento engrandece a canicultura nacional. O entusiasmo dos criadores já foi traduzido na constituição da “ Associação de Criadores do Cão de Gado Transmontano”, com sede no edifício da Casa do Povo, em Vinhais.
O reconhecimento desta raça, tal como foi referido anteriormente, assentou numa realidade irredutível – sempre existiu um Cão de Gado em Trás-os-Montes!
Em muitas das recordações da minha infância, vivida numa recôndita aldeia do concelho de Vinhais, o “Cão do Gado”, de porte imponente, está presente, como guardador de rebanhos, fiel amigo do pastor e protegido do lobo pelas “carrancas” (coleiras de pregos) ameaçadoras.
Por isso, quando há quinze anos atrás iniciei a minha actividade profissional e regressei a esta região, pude com naturalidade constatar a presença de centenas de cães de guarda de rebanho, com padrões fisionómicos muito semelhantes e passíveis de serem classificados como pertencendo a uma raça específica ainda não tipificada.
Quando há 10 anos iniciámos o concurso do “Cão de Gado Transmontano”, na aldeia de Moimenta, concelho de Vinhais, respondendo aos anseios crescentes dos pastores que, paralelamente com o reconhecimento da raça ovina “Churra Galega Bragançana”, pretendiam distinguir os seus cães de gado e obter alguma orientação técnica para a sua selecção, sabíamos que o processo de reconhecimento iria ser moroso, exigindo, por isso, perseverança e determinação.
Se é verdade que a origem desta raça está relacionada com os restantes mastins ibéricos, a sua evolução e diferenciação foi determinada pelas rotas da transumância e pela adaptação à realidade edafoclimática e topográfica da região de Trás-os-Montes.
Numa região de montanha, com vegetação abundante, o cão de gado, no seu processo de adaptação natural, cresceu mais que outros mastins, sendo hoje um cão mais “quadrado”.
Da mesma forma, as funções de defesa do lobo, que desde sempre desempenhou, determinaram que o pastor seleccionasse os de pelagem branca malhada, de mais fácil percepção no monte e de todo distinta do padrão cromático do lobo.
O reconhecimento, no dia 2 de Abril de 2004, pela Assembleia Geral do Clube Português de Canicultura (CPC), daquela que é hoje considerada a 9.ª raça canina portuguesa foi o culminar de um processo que, ao longo destes 10 anos, envolveu diversas entidades, destacando-se na região a Câmara Municipal de Vinhais, entidade que promoveu sucessivos concursos de raça na aldeia da Moimenta, e o Parque Natural de Montesinho, que tem desenvolvido um trabalho meritório na preservação da raça e particularmente no desenvolvimento de um programa de colocação e acompanhamento de cachorros em rebanhos. A nível nacional, o trabalho desenvolvido pelo CPC foi fundamental neste processo. A direcção do clube e a comissão de raças portuguesas efectuaram um exaustivo trabalho de campo, constatando no terreno a existência de centenas de bons exemplares , o que pôde dar suporte, posteriormente, a uma proposta de estalão da raça.
O projecto de estalão da autoria da Presidente da Direcção do CPC, Carla Molinari e do Dr. José Cabral, para além de um excelente trabalho técnico, traduz também a plena diferenciação da raça das demais existentes, em particular da do “Rafeiro do Alentejo”.
Na aparência geral, é referido no projecto de estalão como “Cão molossoide de grande tamanho, forte e rústico, que se evidencia pelo seu aspecto imponente, porte altivo olhar sóbrio. Tem o perfil lateral quadrado, com membros altos, de ossadura forte, naturalmente direitos e bem aprumados, ventre ligeiramente arregaçado, e angulações posteriores moderadas”
No temperamento e comportamento, é dito que “Não obstante a sua corpulência, é um cão de temperamento dócil, mas reservado, é cauteloso, sem ser agressivo, sempre calmo e com o olhar sereno. É um excepcional vigia nas sua funções de guarda de rebanhos, contra o ataque dos lobos...”
É de salientar que este é, sem dúvida alguma, o maior cão das raças portuguesas. No projecto de estalão as alturas apontadas para os machos são de 74 a 82 cm e para as fêmeas são de 66 a 76 cm.
Esta raça constitui um património genético valioso da região de Trás-os-Montes e o seu reconhecimento engrandece a canicultura nacional. O entusiasmo dos criadores já foi traduzido na constituição da “ Associação de Criadores do Cão de Gado Transmontano”, com sede no edifício da Casa do Povo, em Vinhais.
O reconhecimento desta raça, tal como foi referido anteriormente, assentou numa realidade irredutível – sempre existiu um Cão de Gado em Trás-os-Montes!
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