segunda-feira, 18 de março de 2002

Leishmaniose .... a culpa é do mosquito!


A leishmaniose canina é uma doença endémica causada por um protozoário, Leishmania infantum. É uma zoonose que no Homem é conhecida como “Kala-azar”.

A transmissão desta afecção deve-se a um mosquito chamado flebótomo, um pequeno insecto, que vive principalmente nas regiões montanhosas. O mosquito é activo desde o crepúsculo e durante praticamente toda a noite, de Abril até Outubro. A fêmea (a única que pica) procura um animal de sangue quente para se alimentar, depois os parasitas amastigotas multiplicam-se no intestino do mosquito e transformam-se em promastigotas. São estas as formas infestantes que podem infectar um outro animal que seja picado. Não se sabe por que razão, mas estes mosquitos têm uma particular atracção pelo cão, sendo o focinho e a face interna da orelha as zonas de eleição para a picadela.

Na nossa região a leishmaniose pode considerar-se endémica. Até há poucos anos, apenas se considerava que esta doença era endémica na região do Alto Douro, porém dezenas de casos clínicos e exames laboratoriais efectuados ao longo da última década, permitem-nos hoje afirmar que a endemia é extensível à região de Bragança.

Nem todos os cães desenvolvem esta doença após a picada do mosquito, muitos são imuno-resistentes, outros são portadores assintomáticos. De acordo com a nossa experiência clínica, as raças mais susceptíveis são o Boxer, Doberman, Rottweiler, Pastor Alemão e Perdigueiros.

A Leishmaniose canina apresenta uma diversidade de sintomas nos cães, desde os dermatológicos, como peladas, descamação e úlceras até sintomas viscerais e gerais, como a anemia, perda de apetite e atrofia muscular.

De acordo com a informação disponível, nomeadamente de alguns estudos realizados em Espanha, a transmissão ao Homem, embora possível a partir do mosquito vector, sobretudo em pessoas com imuno-deficiências, não tem expressão significativa.
A prevenção da doença nos cães, em regiões endémicas como a nossa, é difícil pois ainda não existe qualquer vacina disponível . É por isso fundamental evitar o contacto com os mosquitos vectores. Para este efeito, recomenda-se a utilização de insecticidas repelentes específicos e o recolhimento dos cães durante a noite.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2001

Geriatria

Tal como nós, os nossos amigos de companhia, cão e gato, também envelhecem, atingindo a fase geriátrica ou sénior.
O envelhecimento traduz uma redução progressiva de todo o equilíbrio orgânico, o que aumenta a predisposição para várias doenças.
Na maior parte das raças de cães, com esperança de vida média de 12 anos, a fase sénior ou geriátrica começa por volta dos 7 anos de idade. Nas raças grandes, com esperança de vida média de 10 anos, esta fase inicia-se aos 5 anos. Nos gatos com esperança de vida média de 14 anos inicia-se, também, aos 7.
Desta forma, podemos generalizar dizendo que a fase geriátrica nos nossos animais de companhia se inicia aos 7 anos.
As principais doenças que atingem os animais nesta fase são:
- Tumores (cancro);
- Insuficiência renal crónica;
- Insuficiência cardíaca;
- Doenças endócrinas;
- Obesidade;
Para além destas doenças, outras podem surgir, como as piómetras (infecções do útero) nas cadelas, doenças da próstata nos cães e as doenças periodontais (boca), entre outras.
Se uma doença for diagnosticada numa fase inicial, é então possível começar o tratamento e o maneio mais adequado, aumentando desta forma a esperança e qualidade de vida dos nossos animais.
É assim importante estabelecer um programa de exames médicos e laboratoriais dos animais geriátricos, que possa ajudar no diagnóstico inicial de alguma patologia em curso, permitindo adoptar as medidas terapêuticas e profilácticas adequadas.
Um programa geriátrico preventivo deve incluir:
- Exame clínico;
- Exame laboratorial;
- Adaptação da dieta;
- Prevenção de doenças periodontais (boca);
- Educação do dono para esta nova fase da vida do seu animal.
Este programa deve realizar-se nos cães e gatos, pelo menos uma vez por ano, a partir dos 7 anos.

domingo, 1 de abril de 2001

Toxoplasmose - nota informativa

Etiologia:

Protozoário intracelular obrigatório
Os felinos são os hospedeiros definitivos, e como hospedeiros intermediários temos como exemplo o cão e o Homem – é um importante agente zoonótico.
Destruído pelo calor a 65ºC e pelo iodo.

Vias de Transmissão:

. Ingestão de tecidos infectados – principal causa de infecção no gato: carne crua, ratos, pássaros
a ingestão de carne crua ou mal cozinhada também é uma importante fonte de contágio em cães e Homem, bem como leite cru de cabra.

. Ingestão de oocistos das fezes do gato – os alimentos, a água e chão contaminado com os oocistos esporulados são importantes fontes de infecção para o Homem, cão, animais para consumo e roedores.

. Infecções congénitas (transplacentárias) – o Toxoplasma pode ultrapassar a barreira transplacentária e infectar o feto durante a gestação, sendo por isso um aspecto importante para a saúde pública, no caso do Homem.

Meios de prevenção para o Homem:

· não comer carne crua nem mal cozinhada (risco de infecção 10 x mais elevada)
· lavar bem as mãos e todos os materiais (facas, recipientes) que estiveram em contacto com a carne crua
· não beber água de fontes sem indicação de salubridade
· limpar a areia do gato todos os dias (os oocistos necessitam pelo menos 24 h para esporularem e tornarem-se infecciosos)
· utilizar luvas quando tratar do seu jardim
· lavar bem os legumes antes de os consumir
· as mulheres grávidas devem evitar o contacto com a terra, a areia dos gatos e comida crua